segunda-feira, 21 de abril de 2014

TONI "Vieira tomou decisão como presidente e não como adepto"

TONI
"Vieira tomou decisão como presidente e não como adepto"
Toni enalteceu a confiança de Luis Filipe Vieira em Jesus, treinador que reconduziu os encarnados ao título depois da contestação inicial.

Antiga glória do clube, Toni enalteceu o voto de confiança do presidente ao trabalho do treinador durante os festejos do 33º título da história do Benfica.
Jorge Jesus, reconhecido como um dos grandes obreiros da vitória no campeonato, foi duramente contestado no fim da época passada e inicio da presente temporada devido aos resultados menos bons. 
Todavia, Luis Filipe Vieira resolveu avançar para a renovação do seu contrato, numa acção muito contestada pela massa adepta benfiquista. "Foi uma decisão tomada como presidente e não como adepto", enalteceu Toni.
Em declarações a Bola Branca, o actual técnico do Traktor destacou "a qualidade do plantel" à qual se aliou "o trabalho do treinador" que permitiu uma época regular e de grande qualidade que culminou com a conquista do campeonato.
Na hora dos festejos, é impossivel esquecer o fim da temporada passada onde o Benfica perdeu todas as competições na fase final, mas este ano conseguiu "reerguer-se perante uma euforia total". "É a prova que no futebol há momentos maus e momentos bons", admite o técnico.
Confirmada a conquista do campeonato, o Benfica ainda se encontra com a possibilidade de vencer mais três competições: a Taça de Portugal, a Taça da Liga e a Liga Europa. 
Esta quinta-feira, os encarnados defrontam a Juventus para a primeira-mão da meia-final da competição europeia. Frente à veccia signora, o Benfica vai jogar com uma boa "almofada psicológica" fruto da conquista deste fim-de-semana. "Vão jogar com bastante confiança", conclui.

Juventus: Tévez é a grande dúvida para o Benfica

Juventus: Tévez é a grande dúvida para 

o Benfica

Avançado argentino foi poupado nas últimas duas partidas do campeonato italiano devido a um problema muscular
Carlitos Tévez está em dúvida para o jogo entre o Benfica e a Juventus da próxima quinta-feira, na meia-final da Liga Europa. 
O avançado argentino está a recuperar de um problema muscular no adutor e falhou as duas últimas partidas do campeonato italiano, contra a Udinese e o Bolonha. 
Segundo a imprensa italiana, o objetivo número 1 da Juventus é recuperar Tévez para este jogo. Hoje mesmo será feita uma avaliação física decisiva. 
Já Arturo Vidal, que também foi poupado contra o Bolonha, não tem nenhum problema físico e está pronto a defrontar o Benfica. 
A Juventus treina amanhã e quarta-feira de manhã em Itália e depois viaja para Lisboa. 

Salvio já foi operado

Salvio já foi operado
FRATURA SOFRIDA FRENTE AO OLHANENSE
O Benfica confirmou que Salvio foi operado esta segunda-feira à fratura do cubito do antebraço esquerdo sofrida no jogo com o Olhanense.

A cirurgia decorreu no Hospital da Luz e foi conduzida pelo médico ortopedista, Dr. António Martins.

El Toto lesionou-se perto do intervalo, e quando o árbitro mandou os jogadores recolher aos balneários, ficou alguns minutos no relvado a ser assistido pela equipa médica. Deslocou-se ao hospital, onde lhe colocaram gesso no braço, e os jogadores só foram chamados ao centro do relvado no final, após o regresso do camisola 18, que não conseguiu esconder as lágrimas pelo sucedido. Os colegas, esses, fizeram tudo para animar El Toto, que já em 2013/14 parou seis meses devido a uma rotura de ligamentos do joelho.

Gaitán sonha com outra final da Liga Europa

Gaitán sonha com outra final da Liga Europa

Em plenos festejos pela conquista do título de campeão português, Nico Gaitán partilhou outro objetivo que pretende voltar a concretizar de águia ao peito: disputar a final da Liga Europa no próximo mês de maio, em Turim.

«Finalmente campeão pelo Benfica. Esperei algum tempo por viver estas emoções tremendas», começou por afirmar o argentino.

«A Liga Europa? Queremos continuar a jogar bem e tentar a final outra vez, claro!», juntou Gaitán. 

Por fim, uma palavra sobre o seu futuro na Luz:

«Estou muito tranquilo. Estou muito contente no Benfica», indicou.

Garay admite ficar mais anos na Luz

Garay admite ficar mais anos na Luz

Ezequiel Garay tinha a felicidade estampada no rosto durante os festejos pela conquista do 33.º título de campeão nacional do Benfica.

Em declarações prestadas à televisão do clube enquanto olhava, boquiaberto, para o mar vermelho que inundou o Marquês de Pombal, o central falou sobre o seu futuro de águia ao peito. 

«Não sei, veremos. Eu e a minha mulher estamos muito felizes por cá e espero ficar mais anos», disse.

Garay, relembre-se, tem contrato com o Benfica válido por mais uma temporada e cláusula de rescisão de 20 milhões de euros.

Sobre a conquista do título, o argentino destacou: 

«Merecemos muito. Estou muito feliz. Esta equipa é realmente forte».

«Nunca imaginei que o Benfica fosse tão grande» - Markovic

«Nunca imaginei que o Benfica fosse tão grande» - Markovic

A cumprir a primeira época de águia ao peito, Lazar Markovic mostrou-se incrédulo com a dimensão dos festejos do 33.º título de campeão nacional do Benfica.

«Já me tinham falado da dimensão do Benfica, mas confesso que nunca imaginei que tudo isto fosse assim tão grande. Estou muito feliz. Agradeço aos adeptos e a todos os que me ajudaram na adaptação ao clube. Sonho com tudo isto desde que sou miúdo e consegui-lo logo no primeiro ano...», exultou o sérvio.

Juventus dá os parabéns pela conquista do título

Juventus dá os parabéns pela conquista do título

A Juventus felicitou o Benfica pela conquista do 33.º título de campeão do historial do clube português.

«O Benfica, próximo adversário da Juventus na Liga Europa, chega a este confronto com mais um título no palmarés. A equipa de Jorge Jesus sagrou-se campeã de Portugal pela 33.ª vez, batendo por 2-0, com um bis de Lima, o Olhanense, treinado por outro antigo jogadorbianconero, Giuseppe Galderisi», pode ler-se no site oficial do clube de Turim.

Pablo Aimar deixa Johor Darul Takzim

Pablo Aimar deixa Johor Darul Takzim
MÉDIO COM POUCO RENDIMENTO

O antigo médio do Benfica Pablo Aimar deixou o Johor Darul Takzim, clube da primeira liga da Malásia, devido ao seu fraco rendimento e às constantes lesões.

O argentino tinha assinado um contrato de dois anos com o Darul Takzim em setembro passado depois de cinco temporadas no Benfica e era o futebolista mais bem pago da Malásia.

O presidente do clube, Tunku Ismail Ibni Sultan Ibrahim, salientou que o centrocampista não estava a justificar o investimento feito pelo Darul Takzim.

“O Pablo Aimar não está totalmente recuperado de uma lesão e não conseguiu contribuir a 100% nos jogos em que participou. Depois de ter feito apenas dois jogos [e marcado dois golos], tivemos de deixá-lo novamente de fora devido a lesão. Com o alto investimento que fizemos em jogadores estrangeiro, esperávamos que tivessem mais preponderância na equipa”, afirmou o presidente na sua página do Facebook.

Tunku Ismail disse ainda que a saída do futebolista foi uma decisão tomada em conjunto com o treinador da equipa, o chileno Cesar Jimenez.

O Darul Takzim é terceiro classificado do campeonato da Malásia, a três pontos do primeiro, quando faltam oito jornadas para o final da prova.

Campeões 2013/14

Nós somos campeões!!!

SL Benfica – Olhanense, 2-0: Obrigado, querido Benfica!

Glorioso sagra-se Campeão Nacional

SL Benfica – Olhanense, 2-0: Obrigado, querido Benfica!

O Sport Lisboa e Benfica é Campeão Nacional! Neste Domingo de Páscoa, o Glorioso recebeu e venceu a formação de Olhanenses, por 2-0, com Lima a apontar os golos da partida. Com este resultado, e quando ainda faltam duas jornadas para o fecho do Nacional, o Sport Lisboa e Benfica conquista o 33.º título do seu palmarés… Obrigado, querido Benfica!

A romaria começou bem cedo rumo ao Estádio da Luz! Foram aos milhares os que se deslocaram à Catedral do Futebol Português imprimindo uma vibração e emoção ímpares a este Domingo de Páscoa.

65 mil nas bancadas, milhões de corações por esse Mundo fora em uníssono… o vermelho dominava em todos os quadrantes, dentro e fora das quatro linhas.

A precisar de vencer para se sagrar já hoje Campeão Nacional, o Sport Lisboa e Benfica entrou com tudo na partida. Nos primeiros dez minutos construíram-se quatro claras oportunidades de golo, no entanto, a ansiedade em fazer bem e depressa não permitiram os festejos do desejado golo.

Com os “encarnados” completamente balanceados no ataque, do outro lado a formação algarvia ia espreitando rápidos contra-ataques e, num bom par de ocasiões, o perigo rondou a baliza à guarda de Oblak colocando em franja os nervos da Luz.  

Depois do ímpeto inicial, e dos avisos do outro lado da barricada, o Benfica estabilizou e partiu para cima do adversário, agora em ataque mais organizado, privilegiando as alas, e a táctica a impor-se ao coração.

A formação algarvia manteve a postura, uma teia montada de forma inteligente e que ia pouco a pouco conseguindo enervar as intenções benfiquistas. Ao intervalo, o nulo mantinha-se teimosamente.

Lima colocou a Catedral em delírio
Com o nulo a não servir as inspirações “encarnadas”, o Benfica entrou na segunda metade tal como na primeira, com tudo! André Almeida deu o mote logo no reatar; aos 53’, Lima tirou as medidas à baliza de Belec… para o que se seguiria!

Minuto 56’, grande jogada de entendimento colectivo, Gaitán remata forte, o guardião adversário defende para a frente, e eis que surge Lima a fazer o 1-0 e a colocar em delírio as bancadas da Catedral.

Ainda se festejava o tento inaugural na Luz e Lima repetiu a dose… Corrida desenfreada pela ala, frente a frente com Belec… e golo do Benfica! 2-0, explosão de emoção na Luz!

Se até então só dava Benfica, em vantagem e como tanto gosta, o Glorioso passou a dominar por completo, com o futebol espectáculo a tomar conta do espectacular relvado da Catedral.

Até final, tudo de pé na Catedral, emoções ao rubro, Benfica, Benfica, Benfica, com os corações benfiquistas por esse Mundo fora cheios, transbordantes de alegria!

Nota ainda para uma grande penalidade por assinalar sobre Rodrigo, aos 69’, que Carlos Xistra deixou passar em claro.

Na próxima quinta-feira o chip muda, com o Glorioso a regressar às contas da Liga Europa. A Catedral recebe a 1.ª mão das meias-finais da prova, com Benfica e Juventus a terem encontro marcado para as 20h05.

Domingo, dia 27, nova meia-final, desta feita para Taça da Liga, com o Benfica a deslocar-se ao Estádio do Dragão para defrontar o FC Porto; as contas do Campeonato Nacional só regressam no fim-de-semana seguinte, com a 29.ª jornada da prova a ter lugar no Estádio da Luz e a colocar frente-a-frente Benfica e Vitória de Setúbal.

O Sport Lisboa e Benfica alinhou com o seguinte onze inicial: Oblak; Maxi Pereira, Garay, Luisão e André Almeida; Enzo Perez, André Gomes, Salvio (Markovic, 45’) e Gaitán (Djuric, 75’); Rodrigo (Cardozo, 83’) e Lima.

Águias ultrapassam Real Madrid, Ajax e Anderlecht

Águias ultrapassam Real Madrid, Ajax e Anderlecht

Benfica ultrapassou os três clubes em número de campeonatos conquistados, mas está bem longe do Glasgow Rangers

O Benfica ultrapassou Real Madrid, Ajax e o Anderlecht em número de títulos de campeão nacional de futebol, ao conseguir o seu 33º campeonato, ficando a vinte dos 53 troféus do Glasgow Rangers.

O clube da Luz sagrou-se campeão nacional pela 33ª vez na sua história, a duas jornadas do fim do campeonato, ao bater o Olhanense por 2-0 no Estádio da Luz, em partida da 28ª ronda.

Na lista de clubes europeus com o maior número de títulos nacionais surgem dois clubes escoceses - o Glasgow Rangers, com 53 títulos, e o Celtic de Glasglow, com 45. Segue-se o Olimpiacos, campeão grego em 41 ocasiões, e depois o Benfica, que ultrapassou o Real Madrid (32 títulos em Espanha), o Ajax (32 títulos na Holanda) e o Anderlecht (32 títulos na Bélgica). 

No entanto, cada um destes três clubes ainda pode sagrar-se campeão nacional nesta temporada: o Real segue em segundo lugar da Liga espanhola, a três pontos do Atlético Madrid, o Ajax é primeiro, com 69 pontos (seis de vantagem sobre o Feyenoord e a duas jornadas do fim), e o Anderlecht, está quarto no "play-off" para apuramento do campeão belga.

Nas principais ligas europeias, chamadas "5 Grandes", o Manchester United é o clube com mais títulos em Inglaterra, com 20, o Real Madrid lidera em Espanha (32), a Juventus em Itália (29 títulos, já que dois lhe foram retirados), o Bayern Munique na Alemanha (24 campeonatos) e o Marselha em França (10 títulos). Na Turquia, o clube com mais títulos é o Galatasaray, com 19 campeonatos nacionais.

A recuperação do trono

ECOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

A recuperação do trono

"Benfica acaba com domínio do FC Porto" ou "Markovic e Djuricic são campeões de Portugal" figuram entre os vários títulos da imprensa internacional a propósito do título encarnado.
A imprensa estrangeira deu ênfase à conquista do 33.º título conquistado pelo Benfica, destacando a recuperação do trono em Portugal e o ponto final no domínio do FC Porto.

"Benfica acaba com o domínio do FC Porto", titula o diário desportivo de Madrid Marca, enquanto o catalão Sport optou pelo título "Benfica recupera o trono em Portugal!", enfatizando a conquista do campeonato "a duas jornadas do fim e a sucessão ao FC Porto", que tinha "vencido as três últimas edições".

Já o diário desportivo AS, de Madrid, escolheu o título "Benfica proclama-se campeão a duas jornadas do fim", e lembra que a equipa "encarnada" é "a que conta mais títulos em Portugal, 33, contra os 27 do FC Porto e os 18 do Sporting".

O brasileiro Globoesporte fez um título curioso: "Vice? Benfica bate Olhanense, acaba com seca e é campeão português", ao mesmo tempo que aludiu ao facto de o clube da Luz "ter perdido três troféus na temporada passada quando esteve prestes a conquistá-los".

O jornal sérvio Blic, de Belgrado, também não passou ao lado do acontecimento, ao titular "Markovic e Djuricic são campeões de Portugal!", além de largo destaque à festa em Lisboa com a publicação de 22 fotos sobre a mesma.

Mar vermelho inundou o Marquês

Mar vermelho inundou o Marquês
DEZENAS DE MILHARES DE ADEPTOS ACORRERAM À FAMOSA ROTUNDA PARA CELEBRAR O 33.º CAMPEONATO NACIONAL COM A EQUIPA DO BENFICA
Até o Marquês vestiu a camisola. A simbólica praça lisboeta estava «reservada» para a festa do do Benfica, mas não teve capacidade para acolher os muitos milhares de adeptos que se juntaram para festejar a conquista do 33º título e que acabou por transbordar para as avenidas adjacentes, num imenso mar vermelho que esta noite pintou Lisboa. Uma festa que começou discreta, ainda com o jogo a decorrer, mas que foi crescendo ao longo da noite até alcançar a apoteose por volta da meia-noite, quando «o campeão voltou» e se juntou à multidão. 
Às 18 horas, quando o jogo estava a começar no Estádio da Luz, ninguém diria que a festa ia ser tão grande. O trânsito ainda circulava normalmente na caótica rotunda onde se juntavam apenas algumas centenas de adeptos vestidos a rigor. Num dos extremos da praça, o que fica de costas para o Parque Eduardo VII, estava a ser montado um sistema de luzes e som. Não tinha nada a ver com o que estava para vir, mas acabou por ser aglutinado e tornou-se num os pontos fortes da festa encarnada. Tratava-se da «Lisboa sobre rodas», uma iniciativa da Câmara de Lisboa em parceria com cinco restaurantes para dinamizar aquela zona da capital, que esta noite ia dar música à cidade com uma uma série de «DJs convidados. Esta festa tinha início marcado para as 22h00, mas acabou por começar bem mais cedo. 
Assim que Lima marcou o primeiro golo no Estádio da Luz, o «formigueiro» aumentou de forma considerável. O Marquês passava a ser o centro do mundo e todas as avenidas iam alimentando aquela imensa rotunda que foi ficando cada vez mais apertada. Quando o jogo acabou na Luz já estava praticamente cheia. Encheu, encheu, encheu até não caber mais ninguém. O raio de visão, que no início permitia ir quase até as Restauradores, estava agora reduzido a poucos metros. Os pontos mais altos foram rapidamente ocupados. Primeiro a parte mais baixa da estátua, depois os semáforos, os candeeiros, por fim a parte mais alta da estátua, com dois adeptos a arriscarem subir até ao leão do Marquês. 
Uma enchente ao som da música estridente da iniciativa «Lisboa sobre rodas», agora já tomada por um «DJ» do Benfica, que certamente não esperava tamanha adesão. Uma «flash mob» levada ao extremo. O primeiro ponto alto do final da tarde foi a chegada de um camião carregado de adeptos com a inscrição «Campeões limpinho». Multiplicavam-se as bandeiras, cachecóis e cartazes. «O Manuel também é campeão», «Acabou o ciclo da fruta», «33 a conta que Jesus fez», são alguns exemplos dos muitos cartazes que divagavam no Marquês. O segundo ponto alto da noite foi a subida de uma grua até ao ponto mais alto da estátua para vestir uma camisola do Benfica a Sebastião José de Carvalho e Melo, o impávido marquês que dá nome à praça. 
Pelo meio, as câmaras de televisão eram a principal atração. Cada vez que se acendia um «pirilampo», o repórter era engolido por uma multidão que extravasava todo o seu benfiquismo para a pequena lente e para o mundo. Uma situação que se repetia em diversos pontos da praça. 

Mas o momento mais aguardado da noite era, obviamente, a chegada dos heróis que estavam demorados na Luz. A ansiedade era visível e a procura de informação uma constante. «Sempre vêm?», «Onde estão», «Estão a chegar?». 
Acabaram por chegar num enorme camião que desceu a avenida Fontes Pereira de Melo. O Marquês de Pombal inclinou-se. A multidão debruçou-se sobre as vaias de proteção e chegou-se a temer o pior. A polícia reforçou o cordão de segurança e acudiu aqueles, principalmente crianças, que estavam sob ameaça de ficarem esmagados contra as grades.
Tinham sido muitas horas de espera. Todos os queriam ver de perto. Primeiro um momento formal, com Luís Filipe Vieira a dedicar o título a todos os adeptos, recordando as mortes de Eusébio e Coluna e reafirmando a vontade de continuar a somar mais títulos. 

Depois Luisão, seguido de todo o plantel, desceram do «pedestal» (leia-se camião), e juntaram-se ao povo. Foi a loucura total. Afinal a festa era de todos e com todos. Apenas Oscar Cardozo, com o troféu do título nas mãos, ficou a ver os companheiros lá de cima. Todos os outros desceram, andaram a correr pelas ruas, abraçaram os adeptos, beberam e festejaram com eles. Jorge Jesus também era mais um deles. Dos adeptos. Ao ponto de ter levado ao engano um polícia que esteve quase para o deter. O treinador perdeu a compostura e andou no «comboio» dos jogadores. Tudo isto ao longo de uma intensa meia-hora, com o povo a delirar. Depois, tão depressa como tinham chegado, os jogadores foram embora. O Benfica é campeão, mas a época ainda não acabou. Quinta-feira há jogo com a Juventus. A festa prosseguiu no Marquês, ainda com muita música, mas já em fase de rescaldo.

Salvio muito apoiado em mais um momento difícil

Salvio muito apoiado em mais um momento difícil
VAI SER OPERADO AO BRAÇO ESQUERDO
Salvio vai ser operado esta segunda-feira à fratura no braço esquerdo sofrida domingo frente ao Olhanense. Apesar do momento difícil - não voltará a jogar mais esta temporada - o argentino tem recebido muitas mensagens de apoio.

Esta manhã a mulher, Magali Aravena, deixou um incentivo no Twitter: "Bom dia. Somos campeões. E tu amor da minha vida sairás como um campeão".

Tamara Gorro, companheira de Garay, também expressou toda a sua solidariedade: "Estamos com vocês".

Domingo, na hora das dedicatórias, Salvio recordou a família e os adeptos: “ “Dedico este título à minha família, mas também a Eusébio. Não podemos esquecer-nos dele. Morreu, mas, na verdade, nunca partiu. Esteve sempre connosco aqui e deu-nos muita força. Dedico a ele, a todos estes adeptos, que nos apoiaram sempre, tanto em casa como fora, à minha família, equipa técnica, médicos e restantes jogadores. Todos merecem este título. O Benfica está de parabéns. Estou muito feliz.”

Fernando Gomes: «Plantel está de parabéns»

Fernando Gomes: «Plantel está de parabéns»
PRESIDENTE DA FPF CONGRATULA SUCESSO DAS ÁGUIAS
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, saudou este domingo o Benfica pela conquista do título de campeão nacional ao que juntou o desejo de apuramento da equipa para a final da Liga Europa. "Toda a estrutura, todos os treinadores e todos os atletas do plantel estão de parabéns e merecem elogios por esta vitória, obtida ao longo de muitos meses num futebol português que cada vez queremos mais competitivo e emocionante", pode ler-se numa nota do dirigente na página oficial da FPF na internet. Fernando Gomes aproveitou a mesma mensagem para motivar o clube encarnado para mais um sucesso, em breve:

"Desejo que este triunfo inspire o Benfica a conseguir o apuramento para a final da Liga Europa, onde o futebol português quer estar, de novo, representado". O Benfica conquistou hoje o 33.º título de campeão nacional, ao vencer o Olhanense por 2-0, em partida da 28.ª jornada da Primeira Liga. Na quinta-feira, o Benfica recebe a Juventus na primeira mão das meias-finais da Liga Europa. A final desta competição está marcada para 14 de maio, precisamente em Turim, no estádio da Juventus.

Rui Costa: «Tudo faremos para conquistar mais»

Rui Costa: «Tudo faremos para conquistar mais»
FOCO PASSA A SER A LIGA EUROPA
Rui Costa garante que a partir de hoje o Benfica estará totalmente concentrado no embate com a Juventus, referente à primeira mão das meias-finais da Liga Europa.

“Hoje [ontem] é dia de festejar um título mais do que merecido. Trabalhou-se muito para chegar aqui! A partir de amanhã tudo faremos para conquistar mais”, referiu o administrador da SAD, recordando uma época durante a qual o Benfica perdeu Eusébio e Coluna: “Os benfiquistas merecem muito este título por tudo aquilo que passaram neste ano difícil. Estes rapazes estão todos de parabéns, porque conseguiram ter a força e o ânimo para sair de uma situação que não é fácil para uma equipa de futebol. Falo do que sucedeu na época passada. Festejar este ano com a conquista de um título é algo de extraordinário.”

Capas do Dia

Abril 21 / 2014

domingo, 20 de abril de 2014

A importância das boas decisões de mercado

A importância das boas decisões de mercado
De Siqueira a Markovic, por exemplo. Com passagem pelas outras: por Pizzi, Cortez ou Funes Mori.
O título do Benfica começou num verão particularmente irrequieto: o campeão contratou muito, e nem sempre pareceu fazê-lo bem. Vários reforços chegaram e partiram de imediato. 
Pizzi, que custou seis milhões de euros por metade do passe, foi o caso mais mediático, ele que foi logo cedido ao Espanhol, mas não foi caso único. Lisandro LopezMitrovic e Luis Fariña, por exemplo, seguiram o mesmo caminho. 
Do lado reverso da medalha há a sublinhar sobretudo três nomes: contratações acertadas e que viriam a tornar-se fundamentais no título. Fala-se aqui de Markovic, Siqueira e Fejsa. Numa segunda linha é preciso falar de Sílvio. Curiosamente destes quatro nomes dois deles (Siqueira e Sílvio) estiveram na Luz apenas por empréstimo. 
Menos felizes, pelo menos para já, foram as apostas em Sulejmani, Djuricic, Funes Mori e Steven Vitória: jogadores utilizados muito esporadicamente. 
Abaixo destes ficou Cortez, dispensado logo em dezembro. Ainda fez 496 minutos, num total de seis jogos na Liga, mas somou exibições frágeis. A boa notícia é que o brasileiro veio por empréstimo: o Benfica aprendeu com erros do passado (Shaffer, Emerson e Luisinho, por exemplo). 
Mas por partes. 
1. Markovic Um talento raro. Com apenas 20 anos tornou-se um incontornável no onze de Jorge Jesus. Aproveitou a lesão de Salvio para ganhar a direita do ataque, somando 25 jogos na Liga, num total de 1634 minutos de utilização. Chegou envolto num secretismo pouco comum, sabendo-se através do relatório e contas do Benfica que assinou contrato até 2018 e custou mais deseis milhões de euros por metade do passe. Um valor elevado, é certo, mas justificado por um futebol vertical e vertiginoso, por cinco e por cinco assistências. Foi o oitavo jogador mais utilizado por Jesus, o que diz tudo no fundo. 


2. Siqueira Sílvio e, sobretudo, Cortez não estavam a deixar Jesus convencido, pelo que o clube garantiu em cima do fim do período de transferências uma paixão antiga: Guilherme Siqueira foi contratado por empréstimo do Granada perto da meia-noite de 2 de setembro. Aos 27 anos, e apesar de uma lesão pelo meio, o brasileiro impôs-se naturalmente. Fez 17 jogos, todos como titular, num total de 1362 minutos. Fez um golo (na vitória por 2-0 sobre o Nacional) e uma assistência, mas sobretudo trouxe consistência e segurança ao velho e complexo problema do Benfica: a lateral esquerda. Tem uma cláusula de opção de sete milhões, ficará no Benfica? 
3. Fejsa Será o melhor exemplo das boas decisões de mercado esta época: chegou no fim de agosto, e foi contratado a pensar numa provável venda de Matic. Nos primeiros cinco meses fez apenas sete jogos para a Liga, a partir da saída de Matic para o Chelsea (e em apenas três meses) só falhou uma jornada. Depois de cinco meses a compreender os processos da equipa, impôs-se e tornou a ausência de Matic um pormenor. Fez 16 jogos, num total de 1348 minutos, e deu aos centrais uma proteção que já não se via desde a saída Javi Garcia. Talvez por isso nos últimos quinze jogos da Liga doméstica, o Benfica só sofreu golos em dois deles. 
4. Sílvio Foi o jogador mais azarado da época do Benfica. Chegou, tal como Siqueira, por empréstimo, com a vantagem de poder jogar na direira e na esquerda da defesa. A temporada ficou marcada porém por duas operações, a primeira ainda em agosto, a segunda em abril, com outra lesão pelo meio. Perdeu praticamente quatro meses da época. Mesmo assim foi o quarto reforço mais utilizado, somando oito jogos e 648 minutos. O que mostra que seria uma séria opção se não fosse tanto azar... 
5. Sulejmani Chegou a custo zero, é verdade, mas é um custo zero relativo: o Relatório e Conta diz que o Benfica pagou 4,25 milhões de euros à empresa que o representa como prémio de assinatura. Por isso, e porque se trata de um atleta com 25 anos, esperava-se mais: 292 minutos num total de dez jogos é pouco. Sulejmani passou a primeira temporada muito no banco, mesmo que Gaitán e (sobretudo) Salvio tenham estado lesionados, num sinal de que a adaptação ainda não é completa nesta altura. 


6. Djuricic Fez uma temporada muito àquem das expetativas, tal como Sulejmani. A diferença é que neste caso Djuricic parece mais longe do que o compatriota de ser um produto esgotado. Chegou com 21 anos, fez 22 em janeiro, tem margem portanto para se afirmar na equipa nas próximas épocas. Contra ele tem as expetativas geradas pelos seis milhões de euros que o Benfica pagou pelo passe. Para já, ao fim de 226 minutos num total de nove jogos, está muito longe de justificar a aposta que o clube fez. 
7. Funes Mori e Steven Vitória Tratou-se de duas aquisições a baixo custo: Steven Vitória chegou a custo zero, ao passo que o preço de Funes Mori foi amortizado com a venda de Rodrigo Mora. Talvez por isso não se esperava muito deles, e eles corresponderam: fizeram muito pouco. Funes Mori jogou apenas29 minutos no empate caseiro com o Arouca, Steven Vitória ainda não se estreou. Em compensação jogaram bem mais na equipa (12 e 7 jogos, respetivamente) e devem ter dado muito jeito nos treinos de conjunto. 
No cômputo geral, portanto, numa época em que o Benfica contratou doze jogadores e gastoupouco mais de 41 milhões de euros, aumentando também o investimento em salários em cerca de cinco milhões de euros (de 19, 7 para 24,1 milhões), a sensação é que a equipa investiu bem. 
Siqueira e Markovic foram peças fundamentais na equipa, o primeiro por ausência de soluções, o segundo pela lesão de Salvio, e Fejsa permitiu o encaixe de 25 milhões com a venda de Matic. Sílvio seria também uma excelente solução para as laterais, mas o azar das lesões diminuiu essa possibilidade. 
Nem tudo foi perfeito, claro que não, houve até contratações incompreensíveis como Pizzi, mas a partir do momento em que há jogadores que se tornam fundamentais numa equipa campeã nacional, o balanço é positivo. A capacidade de tomar boas decisões no mercado foi fundamental, sim.

Crédito recuperado... e juros por reclamar

Crédito recuperado... e juros por reclamar
Técnico do Benfica foi um indiscutível protagonista da temporada

A 26 de maio de 2013, quando Jorge Sousa apitou pela última vez na final da Taça de Portugal, o ciclo de Jorge Jesus no Benfica parecia terminado. O primeiro sinal nesse sentido tinha sido dado em pleno Estádio do Dragão, no momento em que o técnico se ajoelhou perante o golo de Kelvin, a lançar o FC Porto para o tricampeonato. Quatro dias depois veio a derrota na final da Liga Europa, frente ao Chelsea, a reforçar os indicadores, antes do epílogo escrito no Jamor. 
Nesse dia, após o apito final, e no espaço de poucos minutos, o futuro de Jorge Jesus foi duplamente colocado em causa. Primeiro por um jogador, depois pelos adeptos. O dedo apontado de Óscar Cardozo colocava em causa a autoridade do técnico e deixava a ideia de que este tinha perdido o grupo de trabalho. Ao descer a escadaria do Estádio Jamor, com a medalha de vencido, Jesus teve de ouvir então a revolta dos adeptos, que em vinte dias passaram da euforia à depressão. 
O futuro de Jesus foi debatido de forma intensa, mas não por muito tempo. Uma semana, mais concretamente, pois a 4 de junho o Benfica anunciava a renovação de contrato com o técnico, por mais duas épocas. Por convicção nesta aposta, ou por falta de convicção nas alternativas, Luís Filipe Vieira segurou o técnico. 

Até uma vitória foi problema 
A aposta revelou-se certeira, ainda que os primeiros tempos não tenham sustentado a decisão do presidente encarnado. Na ronda inaugural da Liga o Benfica foi derrotado pelo Marítimo, nos Barreiros, e na semana seguinte, na receção ao Gil Vicente, salvou-se nos descontos. Mas curiosamente o período mais sensível até surgiu após uma vitória, em Guimarães. Ao ver um agente policial intercetar um adepto que tinha entrado em campo, no final do encontro com o Vitória, Jorge Jesus decidiu interferir. Fê-lo de forma veemente, agressiva, arriscando punições desportivas e judiciais, confirmadas mais tarde (um mês afastado do banco e 25 mil euros de multa entregues a instituições de solidariedade). 
Na jornada seguinte ao incidente de Guimarães o Benfica empatou em casa com o Belenenses e ficou com cinco pontos de atraso para o FC Porto. Jesus voltou a ser questionado, mas Vieira veio a público reiterar a confiança no técnico. 
Depois disso o Benfica ainda disse adeus à «Champions» na fase de grupos, mas na Liga só cedeu mais quatro pontos, com os empates na receção ao Arouca e na visita a Barcelos. 
Seguro, confiante, regular e claramente superior à concorrência no potencial, o Benfica embalou para o 33º título. E paralelamente avançou na Taça de Portugal, na Taça da Liga e na Liga Europa, embora Jesus tenha sido sempre fiel ao discurso: a prioridade era o título. 
Nas entrelinhas o técnico ia admitindo, desta forma, que a gestão do plantel teve influência no descalabro da época anterior. E desta vez Jesus foi mais cuidadoso, até pela maior riqueza de alternativas. Jogadores como Jardel, Sílvio, André Gomes, Rúben Amorim ou Sulejmani deram ao técnico a confiança necessária para mudar o «onze» de acordo com a prova em causa. Isto sem esquecer Oscar Cardozo, que esteve quase fora do clube por causa do incidente com Jesus mas que depois reapareceu para evitar problemas ao técnico em várias situações, antes de uma paragem prolongada que o atirou para segundo plano, desligado do resto da equipa. Ou ainda Salvio, que também se viu forçado a uma paragem longa, mas que regressou a tempo de assumir papel relevante na reta final. 

Igual a si próprio 
Depois do triplo desgosto de 2012/13, Jorge Jesus procurou sempre um registo mais prudente esta época. Raras foram as conferências de imprensa anteriores aos jogos em que o técnico não prometeu um Benfica humilde, a respeitar o adversário, independentemente do nome deste. E sempre a colocar o campeonato no topo das prioridades, algo que levou à prática. 
Tantas vezes desbocado, quer em relação à equipa, quer em relação aos adversários, Jesus mostrou-se mais «controlado» esta época. E talvez por isso fique a ideia que a estrutura encarnada procurou reduzir ao máximo as declarações do técnico na fase decisiva da época, aproveitando várias vezes a Benfica TV como veículo exclusivo. Mas aqui e ali Jorge Jesus ainda foi igual a si próprio, como na ocasião em que revelou que André Villas-Boas ia treinar o Zenit, no rescaldo do incidente que protagonizou em Londres. 
E foi precisamente com o sucessor de Villas-Boas no Tottenham que Jesus protagonizou mais um momento polémico. Na visita a White Hart Lane, para os oitavos de final da Liga Europa, o treinador do Benfica levantou três dedos na direção de Tim Sherwood, após o terceiro tento encarnado. Ao justificar-se, no final do jogo, o técnico disse que o gesto era relativo a Luisão, que na verdade enverga a camisola 4, mas Jesus explicou mais tarde que três é a posição do central brasileiro em campo. O incidente foi agravado pelos gestos agressivos do técnico para com o seu adjunto, Raul José, e especialmente para com o secretário técnico, Shéu Han. 
As declarações de Jesus atingiram também a formação, quando o técnico disse que os jovens do clube «tinham de nascer dez vezes» para estarem à altura de substituir no «onze» Nemanja Matic, contratado pelo Chelsea no mercado de Inverno. Palavras que motivaram a resposta de algumas promessas do clube, e que contrastaram com a renovada promessa do presidente numa aposta sólida na formação. 
Fiel a si próprio nos excessos do discurso, mas também na competente preparação técnica e tática da equipa, Jorge Jesus conseguiu conduzir o Benfica ao 33º título, sendo um dos indiscutíveis protagonistas da temporada. Se há um ano o ciclo do técnico na Luz parecia extinto, Jesus parece ter agora recuperado o crédito que tinha em 2010. E o reembolso pode até incluir juros, se ao campeonato juntar a Liga Europa ou mesmo a Taça de Portugal, há muito desejada para dedicar ao avô.

Das lágrimas do patrão Enzo ao talismã que chegou para a baliza

Das lágrimas do patrão Enzo ao talismã que chegou para a baliza
Médio argentino assumiu o meio-campo e foi decisivo nos jogos contra o FC Porto e o Sporting

As lágrimas de Enzo Perez no final da Liga Europa perdida para o Chelsea deixaram uma das imagens mais fortes da época passada do Benfica. Quando um jogador é assim, raçudo, cheio de coração, parece que merece menos perder do que os outros. 
Este campeonato foi a vingança de Enzo. Transformou a tristeza em vontade, correu de um lado ao outro do campo e, ao lado do 1,94 ou 1,85 metros de Matic ou Fejsa, foi ele o «gigante» do miolo. 
É verdade que nem sempre o sacrifício foi utilizado em qualidade e que, por vezes, a razão devia ter prevalecido sobre a emoção. O gesto feito ao árbitro no jogo com o Arouca valeu-lhe um castigo para lembrar isso mesmo. E ainda foi o terceiro jogador mais indisciplinado do Benfica, com seis cartões amarelos. 
No entanto, a raça também serviu para pegar na equipa quando foi preciso. Recuar até aos centrais, pedir a bola, conduzi-la calmamente e entregá-la aos pés dos colegas da frente, tudo isso mostrou que era o homem certo para o fazer. Se o Benfica teve um patrão esta época, esse patrão foi Enzo Pérez. 
Ainda por cima, soube escolher as suas vítimas. Primeiro o FC Porto, na Luz, quando ajudou a roubar a bola no primeiro golo, de Rodrigo, e marcou o canto que deu o segundo, de Garay. Ainda voltaria a fazer estragos ao dragão, convertendo o penálti da reviravolta para a Taça de Portugal. Isto, já depois de outros três golos marcados ao P. Ferreira, à Académica e ao Sporting. 

Aliás, este último golo merece um parágrafo só para ele. O argentino recupera a bola, ultrapassa os adversários em velocidade e a maneira como finta Eric Dier antes de rematar simplesmente não se faz. O que aconteceu depois? Enzo chorou. Só que, agora, de alegria.
Oblak, o talismã que faltava
Nunca o Benfica tinha sido campeão com um guarda-redes estrangeiro na baliza
Se no verão passado elegêssemos Oblak como uma das figuras do Benfica, o leitor ficaria chocado, certo? Compreende-se. Afinal, o esloveno andava a fazer uma birra sobre o contrato e Artur era dono e senhor da baliza encarnada. Parece que foi há tanto tempo... 
Entretanto, com Artur na primeira volta e Oblak na segunda, o Benfica sagrou-se pela primeira vez campeão com guarda-redes estrangeiros na baliza. O jovem de apenas 21 anos tornou-se, aliás, um indiscutível naquela que foi assumida como a prioridade por Jorge Jesus - o campeonato. Porquê? 
Bem, as qualidades são notórias e serviram de base desde logo à sua contratação, por 3,9 milhões de euros, quando ainda era menor de idade. Tem bons reflexos, sai bem nos cruzamentos e transmite uma segurança que o faz parecer 10 anos mais experiente. Mas vamos mais longe: Oblak dá sorte ao Benfica. 
Desde que assumiu a baliza, a equipa nunca perdeu nos jogos da Liga e só sofreu golos em duas partidas. Aliás, do registo do esloveno só consta um empate, com o Gil Vicente, na jornada 17, quando até foi mal batido no golo que deu o 1-1. Uma pequena nódoa que foi antecedida de 363 minutos sem sofrer um golo, aos quais se seguiram mais 456 minutos sem ir buscar a bola ao fundo das redes, até ao jogo com o Nacional, na jornada 23. 
Oblak é, portanto, aquilo que faltou ao Benfica nos últimos anos. Depois do terror de Roberto e da instabilidade de Artur, chegou alguém que não faz os adeptos encolherem-se a cada lance de perigo. Chegou alguém que não sofre aquele «frango» que decide um título. Chegou alguém que já não o deixa chocado por estar entre os melhores do novo campeão nacional.
Luisão, uma época «como nunca»
Central brasileiro vence o terceiro campeonato pelas águias
Segunda jornada, Benfica-Gil Vicente, 89 minutos. Os encarnados perdiam por 0-1 e a Luz estava em estado de choque. Os golos nos últimos minutos deram uma das vitórias mais importantes da época e Luisão correu para os benfiquistas. Nos lábios leram-se palavras feias, atípicas da relação que se espera entre um capitão e os seus adeptos. O que é certo é que, à sua raiva, seguiu-se não só uma equipa invencível na Liga, mas também uma temporada intocável do central.
«É a minha melhor época de sempre». Se Luisão o diz, quem somos nós para o contrariar? Na verdade, até concordamos. Aos 33 anos, o brasileiro decidiu mostrar que ainda há centrais daqueles que não têm medo dos miúdos de 20 que correm mais, mas que, por outro lado, não sabem correr tão bem.
Foi preciso chegar a 27ª jornada e o título estar praticamente decidido para Jorge Jesus o fazer descansar. Até ao jogo com o Arouca, Luisão atuou todas as jornadas e sempre durante 90 minutos. O treinador do Benfica sabia o que lhe estava a pedir: um «Luisão como nunca», nas palavras do próprio Jesus. E o central não o desiludiu.
Além de todos estes minutos nas pernas, Luisão também foi mostrar lá à frente como se faz. Leva nesta altura cinco golos marcados na época e, ao lado dos sete golos de Garay, ameaça o recorde da dupla de centrais do Benfica mais goleadora de sempre (Ricardo Gomes e William, em 90/91, marcaram 13 golos).
Luisão parece ser agora a prova de que ainda podemos acreditar que há jogadores que se fundem com os clubes. Com dez anos de águia ao peito, o capitão torna-se o único «tricampeão» do plantel e já fala em terminar a carreira no clube. Acabaram-se os rumores de saída a cada verão e até os adeptos já lhe terão perdoado todas as palavras feias.
Gaitán está no ponto
Menos irreverente, mas mais estável; menos individualista, mas mais útil para o Benfica
Que Nico Gaitán nasceu com um dom, já o sabíamos. Vimo-lo rapidamente, assim que chegou ao Benfica, já lá vão quatro épocas. O que aprendemos agora é que o rapaz argentino que sabia fazer umas fintas e dar uns toques daqueles que fazem o estádio sussurrar um «uuuuiiii...» cresceu. 
Gaitán está, como se costuma dizer, no ponto. E o seu amadurecimento foi fundamental para a época do Benfica, ainda que nem sempre traduzido em mais golos ou mais momentos marcantes. 
O argentino, que não tem outra alcunha para além de Nico (como é possível?) aprendeu finalmente com os erros. Depois de três épocas de grandes jogos (mais grandes jogadas, até), decidiu tornar-se menos irreverente, mas mais estável, menos individualista, mas mais útil para a equipa. 
Jorge Jesus passou a ter em Gaitán alguém em quem confiar. Muito para além da sua técnica e habilidade acima do normal, o argentino aprendeu a defender, a jogar com todos e para todos, a soltar a bola quando o colega do lado estava em melhor posição. No fundo, aprendeu que não podia jogar sozinho. 
E se há coisa que se nota é que Gaitán esperou ansiosamente por este momento. Em quatro épocas no Benfica, só agora é campeão. Aos 26 anos, e provavelmente a lutar pelo contrato que o pode levar para outras ambições, Nico Gaitán decidiu dar o seu melhor. 
Só falhou, até agora, três jornadas. Começou a marcar tarde, mas a bom tempo de ajudar o Benfica a ganhar ao rival Sporting, a conquistar três pontos no Restelo e a consolidar a goleada ao Rio Ave. É o jogador do plantel com mais assistências, ao lado de Rodrigo (tem seis). 
E, sem deixar de fazer umas fintas e provocar uns «uuuuiiii...», começou a suar a camisola.
Rodrigo- afinal, havia outro
A afirmação de um talento e de uma dupla que mudou a face da equipa
O Benfica de Jorge Jesus sempre gostou de atacar, de preferência com muitos jogadores e em avalanche. A «nota artística» dependia sobretudo do número de golos, independentemente dos desequilíbrios defensivos. Qualquer que fosse a dupla de avançados, o objetivo era o mesmo. 
Rodrigo foi sendo, ao longo das duas épocas passadas, um dano colateral desta estratégia. A meio caminho entre a baliza e um 10 que não existia, o jovem de 23 anos não conseguia destacar-se. Era, aliás, a terceira opção para a frente, a seguir a Cardozo e Lima. A lesão do paraguaio, em novembro, redefiniu as hierarquias, dando espaço a uma dupla (Rodrigo-Lima) com características que mudaram grande parte da identidade habitual do Benfica. 
Com as mudanças táticas desta época, para uma equipa mais equilibrada, mais junta, mais solidária e menos ansiosa por goleadas, surgiu Rodrigo. Não o Rodrigo de apoio a outro avançado, não o Rodrigo pós-lesão em S. Petersburgo, sem confiança, tremido, mas o Rodrigo mais rápido, mais eficaz, mais matador.  
Além de seis assistências em benefício dos companheiros, o hispano-brasileiro chegou aos 17 golos numa época, um recorde pessoal desde que chegou ao Benfica. Mais minutos em campo ajudaram, claro, mas não é por acaso que a melhor fase da época da equipa coincidiu com a subida de forma de Rodrigo. Mais dinâmicos, mais pressionantes, os dois avançados mais utilizados na Liga equilibraram-se no rendimento e revezaram-se nos momentos de protagonismo. 
Coube a Lima, melhor marcador encarnado na Liga (14 golos e cinco assistências, números que ilustram uma época de muito bom nível), a glória de bisar no jogo do título. Mas Rodrigo assinou vários momentos decisivos, e talvez o mais importante deles na receção ao FC Porto, na Luz, quando marcou o primeiro golo e mostrou definitivamente que podiam contar com ele.
Com Rodrigo, o Benfica é mais rápido sem necessitar de ser mais descuidado, é mais atento sem deixar de surpreender e é o melhor ataque sem deixar de ser a melhor defesa. Não é tudo mérito do avançado, claro, mas agora já ninguém o tira do topo. Afinal, há vida além de Cardozo e Lima.