Um olhar sobre a sequência inédita de jogos do jovem médio
Os problemas físicos de Fejsa e Rúben Amorim lançaram André
Gomes para quatro jogos consecutivos no «onze» da equipa principal do Benfica.
Uma sequência inédita em forma de teste de fogo, que mais do que certificar o
jovem médio como uma opção válida para Jorge Jesus vieram confirmar que se
trata de um jogador com um potencial tremendo.
Desde logo pela exibição no jogo da Taça de Portugal com o
FC Porto, a melhor na equipa principal, e em particular o golo genial que
apurou o Benfica para a final da prova. Uma espécie de «vingança» do médio que
os «dragões» dispensaram em 2008. Já a receção à Juventus foi o jogo menos
conseguido deste período, no fundo para lembrar que André Gomes é ainda um
talento em formação.
Intérprete promissor, ainda a caminho dos 21 anos, André
Gomes precisa agora de começar a variar o tom. Para já segue sempre o mesmo
registo, seja qual for o palco, mas com o tempo perceberá certamente a
importância de adaptar a performance a cada contexto, a cada palco.
Não está em causa a postura, igual para 6.000 ou 60.000
espectadores, mas sim a perceção do que é preciso em cada instante. Se André
Gomes entrasse num desses programas de talentos musicais que estão outra vez na
moda dir-lhe-iam que não pode cantar sempre no mesmo tom. Que tem de
experimentar também o pop e o fado, por mais «cool» que seja ficar pelo grunge.
Ainda que a segurança seja, de certa forma, aquilo que
distingue André Gomes. A anormal maturidade e inteligência tática, a lembrar
João Moutinho. A confiança com que guarda a bola. Raramente se vê um gesto de
improviso ou mesmo um passe de primeira. André Gomes gosta de guardar a bola,
de a manter encostada a si, e depois procurar o melhor destino.
Mas por vezes é preciso dar maior fluidez ao jogo, exige-se
maior agilidade a reagir, a soltar a bola. É preciso mudar o «chip». Trocar o
virtuosismo pelo pragmatismo, o adorno pelo básico. Perceber que por vezes o
mais útil e mais eficaz é o mais simples. Que dar um passo para trás pode ser a
melhor forma de chegar à frente.
As ideias estão lá, a capacidade para as colocar em prática
também. Falta só maior dinâmica, outra velocidade de execução. Acima de tudo
falta perceber os diferentes ritmos, mas aos 20 anos ainda vai muito a tempo. E
se eu fosse jurado nesses tais concursos de talentos musicais votava nele para
ficar em palco. Por muito que ainda não domine as notas todas. Ser «top»
depende só dele.


Sem comentários:
Enviar um comentário